Queria um bom ini'cio para este texto, com umas boas palavras amontoadas, umas sobre as outras, estruturando uma frase que ficasse no ouvido, de quem a lesse - mas n~ao. N~ao vou faze^-lo.
N~ao vou faze^-lo, porque nem a melhor estrutura, baseada num amontoado de palavras, chega para dizer como lhe quero o abraço e como lhe desejo o corpo. Hoje, deixo as meta'foras e os eufemismos. Sufoco no bolso as sinestesias e as hipa'lages. Discuto com a comparaç~ao, caso for necessa'rio - mas hoje vou dizer, sem nada e com ela, que lhe bebo as palavras e que lhe dedico toda a minha vida, com toda a loucura que ha' em mim, sem rastos de hipe'rboles.
E se alguém duvidar, mencionando 'uma enorme falta de regras' - eu dir-lhe-ei, sem vergar as costas e sem sorrir (porque hoje, tambe'm n~ao ha' ironias): 'O amor que lhe devo, também n~ao possui regras.' E se algue'm ousar dizer que estou a fazer uma comparaç~ao, que o faça -ate' porque ja' discuti com ela, hoje.
Hoje n~ao vou ouvir ningue'm falar-me de 'intensidade', porque essa, eu guardei-a no peito, sem lhe explicar porque^ - hoje tambe'm n~ao ha' justifica,c~oes.
Todo eu sou amor - e tudo em mim e' amor. E o que a minha caneta me revelar (e isto n~ao e' uma personificação), sera' o castanho dos seus olhos e o moreno da sua pele. E eu cantarei aquilo que me chegar aos ouvidos, onde so' a sua voz ecoa e o peito explodira', levando-me o folgo das noites, que sonho e desenho nas paredes, com um garfo velho - n~ao, n~ao e' adjectiva,c~ao - e' n~ao saber como deixar no papel todo o sentimento que me corre nas veias e que me consome o corpo, na hora de lhe, vos dizer quem amo.