Andei louco pela cidade à tua procura. Não te encontrei em parte alguma. Continuei de uma forma insana a busca, sempre com o mesmo resultado.
Tropecei em cada pedra da calçada, caí exausta na berma de uma qualquer estrada e, não te encontrei.
Subi montes, desci vales, aumentei o meu desespero, numa busca sem fim e, nada.
De ti nem sinal.
Quis ver o teu rosto em todos os rostos que comigo se cruzaram.
Ouvi a tua gargalhada em todas as gargalhas ao meu redor.
Senti mesmo, o teu olhar, quente e doce, em cada um daqueles olhares que me eram dirigidos.
Fingi sentir as tuas mãos no meu corpo, em todas as mãos que o acariciaram.
Foi então que descobri que o amor não tem rosto, o amor não ri às gargalhadas, o amor não vê e o amor não tem mãos.
Percebi que o amor que eu em vão procurara, não existia . Nunca existira. Não existiria.
Fechei-me a sete chaves, num castelo inalcançável , e chorei. Chorei pela ilusão perdida, pela dor sentida, pela utopia do amor.
Rodeei-me de gelo, tornei-me eu própria um bloco dele.
Vieram ventos, chuvas, tremendas tempestades e eu, mantive-me inalterada na minha superior frieza.
Hoje, do alto das muralhas por mim construídas, olho à minha volta e vejo que procurei longe, o que afinal estava perto.
Procurei o amor, longe.
Nem pensei tão pouco que o chilrear do pássaro na minha janela todos os dias pela manhã, era uma forma de este dizer que me amava.
Não percebi que o leve aroma a violetas, que me entrava pela janela, aos primeiros raios do sol, eram uma forma de amor.
E tantas, tantas outras provas me foram dadas. As mesmas provas que foram sempre por mim ignoradas.
Agora percebo que o amor esteve sempre à minha volta, nas pequenas coisas da vida...
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