A pedido de muitas familias a edição humorística de sexta passada poderá voltar a este jornal, mas apenas se esta minha semana de trabalho na Universidade Católica Portuguesa não correr pacífica e respeitosamente do ponto de vista social (que eu, siceramente - e acreditem que não poderia dizer isto mais a sério - desejo que corra). Digo isto porque estou muito cansada e magoada com todas as injustiças, humilhaçõezinhas, brincadeiras e mau gosto, boquinhas, etc, etc, etc...
Já passou demasiado tempo. Anos! E eu, distraída como sempre, penso que sou só uma miúda que nem sempre foi brilhante a gerir as suas relações humanas, mas não é bem assim. Sou uma mulher já, ainda desajeitada, mas que percorreu um caminho mais longo do que a maioria das da mesma faixa etária com quem me cruzo (excluíndo as das classes mais desfavorecidas, essas não têm hi5 nem precisam de ler isto porque me tratam bem e com respeito. São um exemplo para mim e seriam decerto para as meninas a quem se dirige este texto, mas essa é outra história que desemvolverei noutro jornal. Pois sinto-me na obrigação de partilhar as lições preciosas que tenho vindo a aprender ao longo dos anos em que me receberam, e recebem, de braços abertos nos muitos bairros socias e pelas muitas ilhas escondidas que há nesta nossa cidade e que a maioria de vós desconhece) . Sim, eu cometi erros, uau! que coisa bizarra! tenho 25 anos, não é suposto treinarmos na juventude para cometermos menos erros numa vida adulta mais madura? É suposto construirmos a nossa personalidade os nossos valores onde assentará o resto de nós. Acontece que rapaziada anda confusa, não anda? O que eles depreenderam da questão foi que tinham de escolher um estilo de vida e que isso estava mais ou menos associado a uma "filosofia" (e foi aí que descobriram que afinal Filosofia não era só o nome de uma cadeira). Levam aquilo muito a sério e fazem questão de se diferenciarem entre si desde as coisas mais óbvias até aos pormenores mais ínfimos. E quando está tudo na sua devida gaveta estão seguros.
Mas a Vida não é assim, pelo menos a Vida real que eu tive e prazer de conhecer ainda muito nova. Agora somos amigas, não somos grandes amigas ainda mas damo-nos bem, ela consegue ser uma cabra às vezes...mas é íncrivel, vale a pena conhece-la. A irmã dela ninguém quer conhecer...eu conheço só de vista - a Morte - e depois de ela levar alguém que nós amamos muito acabamos por descarregar na irmã dela, na Vida, mas com o passar do tempo isso aproxima-nos e faz-nos crescer. Isto se estivermos dispostos a enfrentar as coisas como elas são e assim, aos poucos, vamos construindo a nossa personalidade e os valores de que há pouco falava. Não é tarefa fácil e hoje em dia não nos ensinam estas coisas, falam-nos de outras que sobrorizam e que no final não valem nada (não vou enumerar para não tornar este texto uma sopa moralista, quem me conhece sabe que me refiro a coisas bastante óbvias e quem não me conhece já deve imaginar).
Portanto eu fui uma pateta alegre que resolveu ter uma adolescência e juventude...hum...digamos que demasiado cinematográfica (va lá, reconheçam que: 1. foi um belo eufemismo 2. mantive neurónios suficientes para usar figuras de estilo).
Houve muita coisa que não escolhi, foi azar, mas fiz muitas escolhas erradas, eu admito isso. Mas será justo o que me estão a fazer? Pelo amor de Deus (creio que mandei à fava um mandamento nesta frase…) não estamos na idade média.
Eu perdi grande parte dos meus amigos. A solidão é uma constante dos meus dias. Muito bem, digamos que eu mereço isso. Podemos ficar por aqui? Não? Porquê? Porque é que não posso ir a um bar sossegada? Ou a uma esplanada? Pior ainda...porque é que não posso andar na faculdade onde estou a estagiar em paz? Se sou assim tão má não me deviam dar desprezo? Pois...aí está...mas eu não sou assim tão má, não sou má sequer, nem burra, nem mal-educada, nem agressiva, nem inculta, nem feia, nem rude, nem chata, nem desagradável...nem sou nenhuma galdéria, nunca aindei a roubar namorados de ninguém, aliás sou comprometida e muito apaixonada pelo meu namorado, se alguém tem algum caso que prove o contrário que diga! vá lá...tréguas…
Se não aceitarem o meu pedido o que se segue é uma ordem: magoem-me só a mim, não aos meus pais
Eu não sou de ferro.
teu perna te ama!